Armazéns de Vinho do Porto, V. N. Gaia

Os elementos estruturais das asnas possuem secção transversal circular, no caso das coberturas que se supõe serem originais, e secção transversal rectangular, no caso das coberturas que terão sido introduzidas à posteriori.

Os armazéns de vinho do Porto inspeccionados são constituídos por paredes exteriores resistentes em alvenaria de granito e coberturas em estrutura de madeira. As coberturas integram asnas de diferentes tipos: enquanto a maioria aparenta ser original do período de construção dos edifícios, outras terão sido substituídas, provavelmente a partir de meados do séc. XX. As asnas de maior dimensão vencem um vão livre de cerca de 15,0m e têm uma altura de 3,00m, sendo constituídas por duas pernas, um pendural, quatro escoras e quatro linhas.

O trabalho realizado pelo NCREP pretendeu responder ao solicitado pelo requerente, a empresa VHM – Coordenação e Gestão de Projectos, S.A., nomeadamente a avaliação do estado de conservação de asnas de madeira das coberturas de 12 armazéns por amostragem. A campanha foi antecedida pela selecção das asnas, realizada em parceria com a VHM, procurando-se que a amostra fosse representativa do estado de conservação geral das coberturas.

Os ensaios, realizados nas zonas de apoio das asnas nas paredes, permitiram verificar que algumas das asnas apresentam degradações internas devido ao ataque de agentes bióticos (caruncho, térmitas e fungos). O Resistógrafo, instrumento de ensaios não destrutivo que relaciona a energia dispendida pela penetração de uma agulha com a resistência que o elemento de madeira oferece à penetração, indicou a perda considerável de secção transversal nalguns elementos. O higrómetro forneceu valores de teor em água da madeira muito elevados, o que indica existirem condições óptimas para o desenvolvimento dos ataques. Foram ainda observados alguns danos relacionados com a própria concepção estrutural das asnas e que, nalguns casos, terão sido potenciados pela redução da secção transversal das peças devido ao ataque de agentes bióticos.

Os resultados obtidos indicaram a necessidade de proceder a uma intervenção de reforço estrutural e substituição pontual dos elementos estruturais das coberturas, que deverá ser antecedida, de forma a minimizar o seu impacto, por uma análise extensiva, envolvendo acções de inspecção e diagnóstico detalhadas e avaliações de segurança estrutural das asnas e dos outros elementos estruturais.



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