Rua do Almada, Porto

Como é típico dos edifícios da época, existe uma caixa de escadas central em madeira de acesso aos vários pisos, iluminada por uma clarabóia de forma tronco-cónica.

A estrutura e tipologia construtiva do edifício da Rua do Almada obedece ao que era comum na sua época de construção, particularmente na Casa Burguesa do Porto, sendo constituída por paredes resistentes exteriores e algumas interiores de alvenaria de granito, paredes interiores (e uma exterior) em tabique, e pavimentos e cobertura em madeira.

Em colaboração estreita com a Arq.ª Cristina Campilho, responsável pelo projecto de arquitectura do edifício, o NCREP desenvolveu o trabalho no edifício em duas fases: a 1ª fase envolveu a Inspecção e o Diagnóstico Estrutural do edifício; a 2ª fase, que foi realizada de acordo com os resultados obtidos na 1ª fase, integrou o projecto de estabilidade, em particular a preconização de intervenções de reabilitação/reforço estrutural do existente.

Uma vez que se pretendia preservar os elementos de revestimento do edifício, nomeadamente soalhos de madeira e os tectos estucados, situação que inviabilizava a inspecção directa da estrutura dos pavimentos de madeira, recorreu-se à acção conjunta de dois instrumentos de ensaio não destrutivo para analisar as vigas. O Pacómetro serviu para identificar os alinhamentos das vigas e o Resistógrafo serviu para analisar a integridade das vigas nas zonas de entrega nas paredes de alvenaria de pedra. Esta acção conjunta permitiu identificar a configuração da estrutura dos pavimentos (secção e espaçamento das vigas) e analisar o estado de conservação dos vários elementos estruturais e a extensão de ataques de agentes bióticos, definindo assim a necessidade de eventuais reforços estruturais.

As acções de inspecção e diagnóstico indicaram a possibilidade de manter a globalidade dos elementos estruturais do edifício, através da preconização de algumas medidas de reforço estrutural pontual em elementos mais degradados, nomeadamente: instalação de chapas metálicas nas entregas de algumas vigas de madeira de pavimento; substituição pontual de elementos da cobertura (varas e frechal). Nos pavimentos da cozinha e das instalações sanitárias, e de forma a compensar o aumento das cargas permanentes relacionado com máquinas e louças sanitárias, optou-se por introduzir novas vigas de madeira paralelas às existentes.

(Fotografia: NCREP e  Inês Guedes Photography)
 



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